terça-feira, 22 de setembro de 2015

Escolas públicas têm desempenho abaixo das particulares no Enem

Inep divulgou notas por escola do Enem; melhores colégios estão em SP.
Apenas três escolas públicas ficaram entre as 50 mais bem colocadas.

Renato BiazziSão Paulo, SP
O Inep divulgou as notas por escola da edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). As escolas com melhores notas estão no Sudeste.
Das 20 primeiras, cinco estão em São Paulo, quatro em Minas Gerais, outras quatro no Rio de Janeiro, três no Ceará, duas no Piauí, uma em Mato Grosso do Sul e uma em Goiás. Quase todas as escolas entre as 20 primeiras tem menos de 100 alunos.
Das dez escolas públicas mais bem colocadas, nove são federais e uma do governo do estado de São Paulo. Mas, de novo, o desempenho das escolas públicas ficou bem abaixo das particulares.

Desta vez, além de divulgar as notas das escolas, o Ministério da Educação também mostrou as taxas de aprovação e reprovação por estabelecimento de ensino e o tempo de permanência do aluno na escola. Ou seja, se ele estudou lá todo o ensino médio ou só o terceiro ano, por exemplo.
"Isso pode ser um indicador de seleção de alunos só pro terceiro ano faz o Enem. Faz a prova e aí você sobe a nota da escola inteira. É importante frisar que o Enem nao é indicador pensado para medir a qualidade da escola", explica Priscila Cruz, diretora executiva do instituto Todos Pela Educação.
Um dado preocupante se mantém: apenas três escolas públicas ficaram entre as 50 mais bem colocadas. A especialista diz que é preciso reverter o abismo entre os ensinos público e privado.
"O jovem que está no Ensino Médio em uma escola publica tem direito ao mesmo bom resultado que o aluno q esta numa escola privada. O Estado precisa atuar para que o socioeconômico mais baixo não empurre ele para baixo. Ao contrário, que as políticas públicas o empurrem para cima", pontua Priscila Cruz.
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SP mudará ensino médio público em 2016 e alunos vão escolher disciplinas

O Estado de São Paulo  8 de junho de 2015
No próximo ano, o governo do Estado de São Paulo vai realizar uma mudança no modelo de currículo do ensino médio. De acordo com a reportagem, a Secretaria Estadual da Educação vai implantar um modelo em que a maior parte do curso será estruturado em disciplinas optativas, e os estudantes poderão escolher o que desejam estudar.
O novo modelo deve começar em um número reduzido de escolas e depois avançar para toda a rede. Segundo Herman Voorwald, secretário da Educação de São Paulo, apostar no protagonismo do aluno é a melhor saída para essa etapa. “Se eu quiser desenvolver a capacidade de escolha e de tomada de decisões nos jovens, tenho de permitir que ele opte”, diz.
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Opinião: A progressão continuada

Estudantes saem da escola com dificuldades em matemática e português.
Professores ficaram alienados da construção da política educacional.
Ana Cássia MaturanoEspecial para o G1
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Alunos saem da escola sem saber matemática e com dificuldades em português (Foto: Arte/G1)

Cerca de 95% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio das escolas estaduais de São Paulo, segundo dados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) de 2007, não dominam a matemática, incluindo as quatro operações. Não sabem o básico.

Na área de português o desempenho foi melhor. O que não significa que a situação esteja boa. Pelo contrário. Conheci pessoas que ao terminarem o ensino médio não conseguiam escrever palavras difíceis. Ter a compreensão de um texto então, nem pensar. 

 
E para que serviram todos os anos que passaram na escola? Ora, para dizer que estão num nível de escolaridade médio. E para se iludirem, pois isso não é verdade. Como isso foi acontecer? Ninguém percebeu que os alunos não estavam aprendendo o mínimo? Provavelmente alguém percebeu.

Algo se perdeu no caminho quando a política educacional focou seus esforços na diminuição da reprovação e na evasão escolar - um problema muito sério. Para contorná-lo, foi implantada a progressão continuada em 1998 na rede pública do Estado de São Paulo. Com esse sistema, o ensino fundamental é dividido em duas etapas – de 1ª a 4ª série e de 5ª a 8ª. O aluno só pode ser retido no final de cada ciclo. A reprovação e a evasão foram contornadas, mas a questão de se formar os jovens não. 
O ideal e a prática
A progressão continuada é muito interessante. Em teoria, ela pretende que o aluno seja constantemente avaliado e não só no momento da prova. A partir dessas avaliações é possível organizar as aulas e promover seu aprendizado. Esse é o ideal - e é muito trabalhoso e exige do docente um preparo grande. Normalmente, não é isso que ocorre.

Comumente, diante de novas políticas educacionais, um dos principais agentes de sua realização fica alienado de sua construção e implantação – o professor. Em outras palavras, institui-se algo e os professores acabam tendo que se virar sem orientação nenhuma. Não se leva em conta que eles também necessitam aprender as novidades.

A atividade docente é bastante complexa e, num sistema como esse, exige-se muito do professor e dos recursos da própria escola. Às vezes, mesmo os professores acabam confundindo os termos progressão automática e progressão continuada. Embora, o que parece que vem ocorrendo é a progressão automática mesmo.

Não é culpa dos professores. Como em toda área, na docência há os maus profissionais e os bons. Os envolvidos com o trabalho, provavelmente, devem estar frustrados com os resultados do Saresp.

Com a evasão escolar está tudo bem: parece que foi contornada. Porém o problema foi empurrado para frente, quando o jovem já não está sob as asas da escola. Espera-se que a escola dê condições de as pessoas enfrentarem melhor a vida, principalmente o mercado de trabalho. A idéia é que, após o estudo, tornem-se pensantes e críticas, verdadeiras cidadãs.

Vamos torcer para que os dados do Saresp não resultem apenas em medidas pontuais para atenuar o problema da matemática. Mas que sirvam para que a prática pedagógica, a partir da proposta da promoção continuada, seja transformada. É necessária a formação daqueles que vão estar no dia-a-dia da sala de aula. Falar e pôr no papel é fácil. Realizar é algo bem diferente. 
Políticas Educacionais precisam de

continuidade


A educação é o setor mais importante para o avanço sustentável de um país. Mas até agora, no Brasil, o cenário mudou pouco: vão-se os ministros, ficam os problemas.

Em 1° de janeiro de 2015, quatro anos depois de Dilma Rousseff ter assumido a presidência do País pela primeira vez, tomará posse também Cid Gomes, o quarto ministro de Educação escolhido pela Presidente. Ou seja, o MEC funcionou praticamente com um ministro diferente a cada ano.

Não entrarei no mérito do nome escolhido desta vez, que já vem sendo bastante analisado nos diversos meios. Mas não há como não se preocupar com a possível falta de continuidade numa pasta tão estratégica.

No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2013, a nota do Brasil ficou abaixo da meta tanto nos anos finais do ensino fundamental, como no ensino médio. Meta que, no ensino médio, era de apenas 3,9, mas só alcançamos 3,7. Ao ver o resultado, o ministro Henrique Paim disse que era “hora de rever o ensino médio”. Mas antes dele, na mesma gestão presidencial, o ministro Mercadante havia dito o mesmo, cobrando agilidade nessa reforma. Seu predecessor, o ministro Fernando Haddad, também falou o mesmo, anunciando uma reformulação radical nessa etapa do ensino. Agora o novo ministro, Cid Gomes, acaba de prometer prioridade para a reforma do ensino médio.

O país nunca atingiu a média 4,0 no ensino médio. Em matemática, só 10% dos estudantes aprenderam o que deveriam. Todos os indicadores mostram – inclusive o Pisa (exame internacional de competências) no qual o Brasil está na lanterna – que nossa educação está estagnada, como comentei neste blog. A rotatividade dos que lideram essa pasta pode estar retardando as mudanças.

A descontinuidade se propaga nas esferas subsequentes, como por exemplo as secretarias estaduais e municipais. São raras as reuniões do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) em que mais da metade dos participantes havia estado presente também nos encontros de anos anteriores. Isso impede levar adiante políticas e acordos que ajudariam a enfrentar com mais força os desafios comuns; e traz a sensação de começar sempre do zero.

O desafio do novo ministro é imenso. Em diversas regiões do país, ele encontrará escolas sucateadas, sem laboratórios, sem quadras esportivas e até com professores acuados com o aumento da violência nas salas de aula, desvalorizados e com condições de trabalho precárias; muitas escolas dominadas por indicações políticas; alta defasagem idade-série. Além disso, em diversos estados a progressão continuada foi mal implantada, deixando passar de ano alunos que não aprenderam e formando analfabetos funcionais. Encontrará ainda currículos pouco adaptados aos jovens de hoje.

Nesse cenário, o novo ministro precisará ser um exímio gestor. Em quatro anos é possível fazer bastante coisa. O Rio de Janeiro, por exemplo, no mesmo período saiu da penúltima para a terceira posição do país.

Esse avanço foi alcançado graças a uma combinação de estratégias de gestão moderna: metas para as escolas, diagnósticos permanentes e ações focadas nas deficiências encontradas, aulas de reforço para quem precisa, valorização dos que atingiram bons resultados, currículo mínimo comum. A equipe foi recrutada por uma empresa especializada em descobrir talentos. Os profissionais que hoje coordenam projetos regionais foram selecionados entre milhares de candidatos das próprias escolas. Muitos vieram de regiões do interior do estado e nunca teriam chegado a postos estratégicos se dependessem de articulações políticas.

Para o Brasil voltar a crescer, não bastam ajustes e medidas econômicas. O Ministério da Educação precisa ser tratado como estratégico e a pasta precisa de gestores de excelência, com a continuidade nas ações. Vale lembrar que a sociedade também terá papel decisivo. O poder público só prioriza a educação quando ela passa a ser uma demanda da sociedade e esta se envolve seriamente na fiscalização da qualidade e no controle da aplicação dos recursos.